简体中文
繁體中文
English
Pусский
日本語
ภาษาไทย
Tiếng Việt
Bahasa Indonesia
Español
हिन्दी
Filippiiniläinen
Français
Deutsch
Português
Türkçe
한국어
العربية
Ouro em Colapso: Queda de 9% Para US$ 4.600 Após Nomeação do Novo Fed
Resumo:O mercado de ouro vive um dos dias mais sombrios dos últimos anos nesta segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026. O metal amarelo, que há poucos dias testava os patamares históricos acima de US$ 5.600, sofreu um colapso vertiginoso, perdendo quase 9% em um único dia na sexta-feira e continuando sua queda acelerada no início desta semana, negociando agora abaixo de US$ 4.600 por onça.

Publicado em 02/02/2026
O mercado de ouro vive um dos dias mais sombrios dos últimos anos nesta segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026. O metal amarelo, que há poucos dias testava os patamares históricos acima de US$ 5.600, sofreu um colapso vertiginoso, perdendo quase 9% em um único dia na sexta-feira e continuando sua queda acelerada no início desta semana, negociando agora abaixo de US$ 4.600 por onça. Este movimento representa uma correção brutal e necessária após uma ascensão parabolicamente alimentada por especulação e FOMO (Medo de Perder Oportunidade). No Brasil, o reflexo imediato é sentido no bolso: 1 grama de ouro vale hoje R$ 844,28, uma queda significativa em relação aos picos recentes. O gatilho para este banho de sangue (bloodbath) foi claro e poderoso: a nomeação de Kevin Warsh como o novo chairman do Federal Reserve (Fed) pelos EUA. Warsh, visto como uma figura mais hawkish (restritiva) do que o atual chair Jerome Powell, sacudiu as expectativas do mercado, fortalecendo instantaneamente o dólar norte-americano (USD) e desencadeando uma onda massiva de liquidação de posições alavancadas em ativos não rendáveis, como o ouro. Este artigo analisa os fundamentos por trás da queda, os níveis técnicos críticos, o impacto no mercado brasileiro e as previsões para os próximos passos do metal em um ambiente de repricing agressivo dos juros americanos.
O Gatilho Fundamental: A Nomeação de Kevin Warsh e o Renascimento do Dólar
A queda livre do ouro não é um evento técnico isolado; é uma reação fundamental direta a uma mudança sísmica na política monetária esperada. A nomeação de Kevin Warsh, ex-governador do Fed entre 2006 e 2011, pelo presidente Donald Trump, foi interpretada pelo mercado como um fortalecimento da ortodoxia monetária e da independência do Fed. Warsh é percebido como menos propenso a políticas de afrouxamento quantitativo (QE) agressivas e mais focado no controle da inflação. Esta percepção acalmou os temores de um enfraquecimento descontrolado do dólar e levou os investidores a repensarem suas apostas.
Consequentemente, o dólar norte-americano experimentou uma recuperação vigorosa. O Índice Dólar (DXY) subiu mais de 1% apenas na sexta-feira e se mantém firme acima de 97.00 pontos. Um dólar mais forte torna o ouro, precificado globalmente em USD, mais caro para compradores com outras moedas, reduzindo sua demanda. Além disso, a perspectiva de condições financeiras mais apertadas (tighter financial conditions) e o possível fim do ciclo de cortes de juros pressionam os rendimentos reais dos títulos do Tesouro americano, oferecendo uma alternativa de “refúgio” que, ao contrário do ouro, paga juros. Esta combinação de dólar forte e expectativas de juros mais altos por mais tempo criou a tempestade perfeita para uma fuga em massa do ouro.
A Dinâmica da Liquidação: Alavancagem, Alertas Regulatórios e o Pânico do Varejo
A profundidade e a velocidade da queda foram amplificadas por fatores de estrutura de mercado e psicologia de investidores. Antes da reversão, os indicadores de momentum estavam em níveis profundamente sobrecomprados (overbought), indicando que o mercado estava extremamente vulnerável. Uma vez que o nível-chave de US$ 5.000 foi rompido com força na sexta-feira, desencadeou-se uma cascata de vendas automáticas (systematic selling) de fundos quantitativos e stops de proteção, acelerando a queda.
A intervenção regulatória na China, um dos maiores mercados de ouro físico do mundo, adicionou combustível ao fogo. Grandes bancos como ICBC, Bank of China e China Construction Bank emitiram alertas públicos de que os mercados estavam “tecnicamente frágeis”. A Shanghai Gold Exchange respondeu aumentando os requisitos de margem e os limites de preço, efetivamente reduzindo a capacidade de especulação alavancada. Estas ações sinalizaram que as autoridades viam a alta recente como insustentável e impulsionada mais por alavancagem e sentimento do que por demanda física real.
O pânico também atingiu o varejo global. Relatos do Quirguistão mostram residentes correndo para vender barras de ouro certificadas para a empresa estatal Kyrgyzaltyn após a queda global. Este comportamento, mudando rapidamente de acumulação para preservação de capital, ilustra como a psicologia do mercado pode virar em mercados menores e menos líquidos, criando uma pressão vendedora adicional em um momento de fragilidade.
Análise Técnica: Uma Estrutura Danificada e os Próximos Suportes Vitais
O quadro técnico do ouro mudou drasticamente e agora aponta para uma tendência de baixa de curto prazo bem estabelecida. No gráfico de 4 horas, o preço rompeu de forma decisiva a importante Média Móvel de 200 períodos, situada próximo a US$ 4.600. Esta é a primeira vez desde novembro de 2025 que isso ocorre, um sinal técnico fortemente bearish que indica a potencial continuidade das perdas.
Os próximos níveis de suporte críticos a serem observados são:
- US$ 4.400: A mínima do dia, que já está sendo testada.
- US$ 4.330: Área de “gap” (lacuna) no gráfico que pode atrair o preço.
- US$ 4.000: O grande nível psicológico que agora se torna um alvo distante, porém plausível, se a venda persistir.
Qualquer tentativa de recuperação enfrentará resistências formidáveis. O patamar de US$ 5.000, que antes era suporte, agora se torna uma barreira psicológica e técnica de primeira ordem. Acima dele, as médias móveis de 100 períodos (US$ 4.835) e de 20 períodos (US$ 5.250) atuariam como tetos dinâmicos para qualquer rally de correção. É importante notar que o RSI (Relative Strength Index) já atingiu a zona de sobrevenda (oversold), o que pode preceder uma consolidação ou um pequeno rebote técnico antes que a queda potencialmente continue. No entanto, em mercados com momentum vendedor forte, os indicadores de sobrevenda podem permanecer nesse estado por um tempo prolongado.
O Reflexo no Brasil: Ouro a R$ 844,28 e a Proteção em Tempos de Volatilidade
Para o investidor brasileiro, a cotação de R$ 844,28 por grama representa um alívio para quem queria comprar, mas um susto para quem comprou no topo. Esta queda acentuada em reais é um fenômeno duplo: reflexo da desvalorização do ouro em dólares e da relativa estabilidade (ou força) do real frente ao dólar nas sessões recentes. O USD/BRL operou em patamares mais baixos (próximos a R$ 5,18), o que, em circunstâncias normais, amorteceria a queda do ouro em reais. No entanto, a magnitude do colapso em dólares foi tão grande que se sobrepôs a qualquer efeito cambial.
Este cenário coloca em perspectiva a função do ouro em uma carteira brasileira. Em um dia como hoje, fica claro que o metal não é uma poupança de risco zero. Sua volatilidade pode ser extrema. No entanto, para aqueles que o adquiriram como proteção de longo prazo contra a desvalorização das moedas fiduciárias e a instabilidade geopolítica, uma correção como esta pode ser vista como parte do ciclo. A estratégia de “média de custo” (dollar-cost averaging), comprando pequenas quantias periodicamente, se mostra valiosa em momentos de tanta volatilidade, evitando a exposição total no pico.
Os Pilares Estruturais Permanentes: Bancos Centrais e Tensão Geopolítica
Apesar do cenário técnico assustador e da liquidação momentânea, é crucial lembrar que os pilares estruturais de suporte ao ouro permanecem intactos. O principal deles é a compra contínua por bancos centrais de diversas nações, que buscam diversificar suas reservas internacionais para longe do dólar. Este é um movimento estratégico de longo prazo que não deve ser alterado por uma correção de algumas semanas. Além disso, a tensão geopolítica entre EUA e Irã, embora tenha seu prêmio de risco temporariamente reduzido com o acordo que evitou um “shutdown” do governo americano, permanece elevada e é um fator de suporte latente. Qualquer escalada repentina no Golfo Pérsico poderia reacender rapidamente a demanda por refúgio seguro.
Conclusão: O Fim da Euforia e o Início de um Novo Capítulo Mais Saudável
O colapso do ouro para abaixo de US$ 4.600 marca o fim de uma fase de euforia especulativa extrema e o início de um processo doloroso, porém saudável, de reajuste de preços. Como observado na análise, “o ouro estava exagerado” e esta correção “era necessária há algum tempo”. O mercado trouxe os traders “de volta à realidade”, e muitos “fundos de contas de varejo agora estão vazios”.
A perspectiva para os próximos dias é de alta volatilidade e possíveis testes de suportes mais baixos. Um cenário provável é uma queda adicional em direção a US$ 4.400-4.330, seguida por um período de estabilização e um pequeno rebote técnico. No entanto, qualquer recuperação significativa que desafie a região de US$ 5.000 provavelmente exigirá um novo catalisador macroeconômico – como dados de inflação surpreendentemente fracos nos EUA ou uma escalada geopolítica inesperada – ou uma clara sinalização de que o Fed, sob Warsh, não será tão hawkish quanto o mercado agora precifica.
Para o investidor, a lição é clara: o ouro é um ativo cíclico e volátil. Sua função como reserva de valor se prova em décadas, não em dias. A correção atual é um lembrete brutal de que, em mercados financeiros, a gravidade sempre acaba voltando. A estratégia agora deve ser de observação paciente, gestão rigorosa de risco e espera pelo estabelecimento de uma nova base de consolidação a partir da qual uma tendência sustentável, fundamentada em fatores reais e não em especulação desenfreada, possa eventualmente emergir.

Isenção de responsabilidade:
Os pontos de vista expressos neste artigo representam a opinião pessoal do autor e não constituem conselhos de investimento da plataforma. A plataforma não garante a veracidade, completude ou actualidade da informação contida neste artigo e não é responsável por quaisquer perdas resultantes da utilização ou confiança na informação contida neste artigo.
