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Dólar em Alta: Como a Nomeação de Warsh Revolucionou o Mercado Cambial
Resumo:O mercado cambial global inicia a semana de 02 de fevereiro de 2026 sob uma nova e decisiva narrativa: a ressurreição do dólar norte-americano (USD). Após um período de intensa pressão vendedora, a moeda americana não apenas interrompeu sua queda como está em um processo firme de recuperação, ampliando os ganhos expressivos registrados na turbulenta sexta-feira anterior. O Índice Dólar (DXY), que mede sua força contra uma cesta de seis moedas, opera cerca de 0,2% mais alto, próximo a 97.010 pontos, consolidando um salto de 1% em um único dia.

Publicado em 02/02/2026
O mercado cambial global inicia a semana de 02 de fevereiro de 2026 sob uma nova e decisiva narrativa: a ressurreição do dólar norte-americano (USD). Após um período de intensa pressão vendedora, a moeda americana não apenas interrompeu sua queda como está em um processo firme de recuperação, ampliando os ganhos expressivos registrados na turbulenta sexta-feira anterior. O Índice Dólar (DXY), que mede sua força contra uma cesta de seis moedas, opera cerca de 0,2% mais alto, próximo a 97.010 pontos, consolidando um salto de 1% em um único dia. Esse movimento, que reverbera em todos os pares cambiais, tem um epicentro claro: a nomeação de Kevin Warsh como o novo chairman do Federal Reserve (Fed) pelo presidente Donald Trump. Este evento fundamental não apenas fortaleceu o dólar globalmente, mas também desencadeou um colapso histórico em ativos de risco e metais preciosos, realinhando expectativas de política monetária e apetite por risco. Para o Brasil, este cenário representa uma pressão de alta potencial sobre o dólar comercial (USD/BRL), que deve sentir os efeitos dessa reversão de fluxos e do novo sentimento de fortalecimento da moeda americana. Este artigo analisa os motores por trás desta reviravolta cambial, seus impactos nas principais moedas globais e as implicações para a cotação do dólar frente ao real em um momento de transição crítica na política monetária americana.
O Pilar da Recuperação: A Nomeação de Kevin Warsh e a Reinterpretação do Fed
O ponto de inflexão para o dólar foi inequívoco: a indicação de Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve. Warsh, um ex-governador do Fed entre 2006 e 2011, é percebido pelo mercado como uma figura mais hawkish (restritiva) e ortodoxa em comparação com a gestão de Jerome Powell. Embora amplamente visto como favorável a cortes de taxas em algum momento, sua postura crítica em relação à expansão do balanço patrimonial do Fed durante crises passadas sinaliza uma possível redução futura da oferta monetária no sistema. Esta perspectiva alterou profundamente as expectativas dos investidores.
Como observado por analistas do ING, a “negociação de desvalorização” que alimentava a queda do dólar na semana anterior começou a se reverter com a nomeação. O mercado passou a precificar um Fed potencialmente mais cauteloso e menos propenso a políticas monetárias excessivamente expansionistas, o que fortalece a moeda no longo prazo. Esta mudança de percepção ofereceu o fundamento necessário para uma recuperação técnica que muitos analistas consideravam atrasada, uma vez que a queda anterior do dólar parecia “muito desconectada da história macroeconômica”. Em outras palavras, o dólar encontrou um piso fundamental sólido baseado em uma reavaliação racional dos juros americanos, e não apenas em fluxos especulativos.
O Efeito Colateral: O Colapso dos Metais Preciosos e o Suporte ao Dólar
A nomeação de Warsh funcionou como um catalisador para uma correção maciça em ativos supervalorizados, criando um efeito colateral que reforçou ainda mais o dólar. Os metais preciosos, liderados pela prata e pelo ouro, sofreram um verdadeiro banho de sangue. A prata despencou mais de 25%, e o ouro perdeu quase 9% em um dia. Esta liquidação forçada de posições altamente alavancadas nesses mercados gerou uma fuga em massa para a liquidez e segurança. Em meio ao pânico, o dólar emergiu como o porto seguro preferencial, beneficiando-se do repatriamento de capital e da venda de ativos em outras moedas para cobrir margens.
Analistas apontam que o tamanho da correção nos metais preciosos sobrecomprados está oferecendo suporte adicional ao dólar. A violência do movimento destacou o risco de se posicionar contra a moeda americana em um ambiente de mudança de política monetária e serviu como um alerta para os mercados sobre a velocidade com que os ventos podem mudar. Essa dinâmica cria um ciclo de retroalimentação positiva para o USD: a expectativa de um Fed mais firme fortalece o dólar, o que pressiona os preços dos metais (denominados em USD), levando a mais liquidações, que por sua vez aumentam a demanda por dólares.
Impacto nos Principais Pares Cambiais: EUR, GBP, JPY e AUD Sob Pressão
A recuperação do dólar exerce pressão generalizada sobre suas contrapartes. O euro (EUR/USD), que na semana anterior havia testado a importante resistência de 1.20, recuou e agora negocia de forma estável em torno de 1.1850. O foco dos mercados está na reunião do Banco Central Europeu (BCE) desta semana, mas analistas acreditam que o fato de o par ter saído do “temido nível de 1.20” diminui a probabilidade de uma reação verbal forte do BCE contra a força do euro no curto prazo. Dados econômicos modestamente positivos da Zona do Euro, como a leve alta nas vendas no varejo alemão e a melhora do PMI de manufatura, não foram suficientes para conter a maré de compras de dólares.
A libra esterlina (GBP/USD) também mostra estabilidade relativa em torno de 1.3790, mas permanece sob a sombra de um dólar mais forte, à espera da decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE).
No mercado asiático, o iene japonês (USD/JPY) enfrenta pressão de baixa, com o par negociando 0,2% mais alto a 155.00. Comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi, que destacou os benefícios de uma moeda mais fraca para a economia japonesa, afastaram temporariamente os temores de intervenção direta no mercado de câmbio por parte das autoridades de Tóquio. Esta postura, que contrasta com alertas anteriores, deu margem para o dólar se fortalecer ainda mais contra o iene.
O dólar australiano (AUD/USD), por sua vez, cede 0,2% para 0.6950, com toda a atenção voltada para a reunião do Reserve Bank of Australia (RBA). A expectativa de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros australiana, motivada por dados de inflação ressurgentes, oferece algum suporte à moeda, mas não é suficiente para neutralizar a força geral do dólar americano no cenário global atual.
O Contexto Brasileiro: Pressões de Alta Para o Dólar Comercial (USD/BRL)
Para o mercado brasileiro, este cenário global se traduz em pressões de alta potenciais para a cotação do dólar comercial. O real (BRL), como a maioria das moedas emergentes e de risco, tende a se enfraquecer em momentos de fortalecimento generalizado do dólar e de redução do apetite global por risco. O movimento observado nesta segunda-feira sinaliza que os ventos que sopravam a favor do real – como o dólar fraco internacional e o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira – podem estar mudando de direção.
Embora fatores domésticos, como a manutenção da elevada taxa Selic pelo Copom e o fluxo positivo para o Ibovespa, continuem oferecendo suporte ao real, a força externa do dólar é um fator poderoso e muitas vezes decisivo no curto prazo. Se a recuperação do dólar se sustentar e ganhar tração ao longo da semana, é provável que vejamos o USD/BRL encontrando um piso mais elevado e buscando romper resistências técnicas. Os investidores ficarão atentos para ver se o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil consegue se manter resiliente diante de um ambiente de dólar globalmente mais forte e de correção em ativos de risco.
A Agenda da Semana: Dados de Emprego dos EUA Como Próximo Teste
A recuperação do dólar será posta à prova por uma série de dados econômicos críticos ao longo da semana. O grande destaque será o relatório de emprego não agrícola (NFP) dos EUA, a ser divulgado na sexta-feira. As projeções indicam uma criação de 67 mil postos de trabalho em janeiro, uma melhora em relação aos 50 mil do final de 2025, com a taxa de desemprego estável em 4,4%. Dados robustos de emprego poderiam solidificar a narrativa de uma economia americana resiliente, dando mais argumentos para um Fed menos agressivo nos cortes de juros e, portanto, mais suporte para o dólar.
No entanto, analistas da Payden & Rygel alertam que os formuladores de políticas do Fed estão “apostando na estabilidade”. Se o mercado de trabalho mostrar sinais de deterioração, o Fed poderia ser empurrado de volta para cortes de taxas mais cedo do que o esperado, o que poderia interromper a recuperação do dólar. Além do NFP, dados de atividade manufatureira e de serviços (ISM) também serão monitorados de perto para avaliar a saúde da economia americana.
Conclusão: Um Novo Equilíbrio Para o Dólar e Seus Reflexos no Câmbio Local
O dia 02 de fevereiro marca o início de uma potencial reconfiguração nos mercados cambiais globais. A nomeação de Kevin Warsh ao Fed serviu como um catalisador poderoso para uma correção de mercado que já era tecnicamente necessária. O dólar, subvalorizado em relação aos seus fundamentos macroeconômicos segundo muitos analistas, encontrou uma razão convincente para se recuperar. Essa recuperação foi amplificada pela liquidação catastrófica nos mercados de metais preciosos, criando um ambiente de aversão ao risco que beneficia a moeda americana.
Para o real brasileiro e para a cotação do dólar comercial, este é um momento de cautela elevada. A força externa do dólar é um vento contrário que se soma aos desafios domésticos. Enquanto os fundamentos locais de juros altos e fluxo de capitais permanecerem sólidos, o real pode mostrar resiliência relativa. No entanto, se a recuperação do dólar ganhar momentum sustentado e se transformar em uma tendência de médio prazo, é inevitável que o USD/BRL sinta pressão ascendente.
A semana à frente, com seus dados econômicos cruciais e a consolidação das reações à nomeação de Warsh, será fundamental para definir se esta é uma correção técnica passageira ou o início de uma nova fase de fortalecimento estrutural do dólar. Traders e investidores, tanto no mercado global quanto no local, devem se preparar para volatilidade contínua e ajustar suas estratégias para um ambiente onde o dólar já não é mais o patinho feio dos mercados cambiais, mas sim uma moeda que redescobre seus fundamentos e seu papel de porto seguro em tempos de turbulência nos ativos de risco.

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