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Análise do Dólar: Por que Está em R$ 5,26 e o Euro em 1,18?
Resumo:O mercado cambial inicia esta terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, em um momento de equilíbrio tenso e recuperação cautelosa. Após a turbulência provocada pela nomeação de Kevin Warsh ao Federal Reserve, que desencadeou uma forte valorização do dólar americano (USD) e um colapso em ativos de risco, os preços buscam um novo ponto de estabilidade. No front doméstico brasileiro, o dólar comercial opera na cotação de R$ 5,26, um nível que reflete a absorção do choque externo e a resiliência relativa do real, sustentado por juros altos e fluxo de capital estrangeiro.

Publicado em 03/02/2026
O mercado cambial inicia esta terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, em um momento de equilíbrio tenso e recuperação cautelosa. Após a turbulência provocada pela nomeação de Kevin Warsh ao Federal Reserve, que desencadeou uma forte valorização do dólar americano (USD) e um colapso em ativos de risco, os preços buscam um novo ponto de estabilidade. No front doméstico brasileiro, o dólar comercial opera na cotação de R$ 5,26, um nível que reflete a absorção do choque externo e a resiliência relativa do real, sustentado por juros altos e fluxo de capital estrangeiro. Do outro lado do Atlântico, o euro (EUR) tenta se reerguer após dois dias de perdas, com o par EUR/USD negociando em torno de 1,1810, em uma batalha técnica crucial para determinar se a recente pressão vendedora foi apenas uma correção ou o início de uma reversão de tendência. Este artigo analisa a dinâmica técnica e fundamental que rege estas duas importantes cotações, explorando os níveis-chave, os fatores de pressão e as implicações para investidores e a economia real em um dia que pode definir o tom para o restante da semana.
A Cotação Doméstica: Dólar a R$ 5,26 e Seu Impacto Prático no Dia a Dia
A cotação de R$ 5,26 para o dólar comercial é muito mais do que um número em uma tela; é um termômetro fundamental da economia brasileira. Este valor, utilizado como referência para importações, exportações, contratos internacionais e pelo mercado financeiro, serve como base para todas as outras cotações. O dólar turismo, aquele adquirido em espécie para viagens, normalmente opera em um patamar mais alto, entre R$ 5,45 e R$ 5,60, refletindo custos operacionais e margens das casas de câmbio. Já o dólar cartão, utilizado em compras internacionais com cartão de crédito ou débito, pode variar de R$ 5,55 a R$ 5,70, incorporando IOF e taxas das bandeiras.
O impacto deste patamar cambial no cotidiano é direto e tangível. Com o dólar comercial em R$ 5,26, produtos importados tornam-se mais caros. Esta lista inclui desde eletrônicos, medicamentos e peças automotivas até passagens aéreas internacionais e pacotes de viagem. O aumento de custos para as empresas importadoras frequentemente é repassado ao consumidor final, contribuindo para pressões inflacionárias em setores específicos. Por outro lado, as empresas exportadoras se beneficiam, pois recebem em dólares uma receita que, ao ser convertida em reais, rende mais. Este efeito pode estimular setores como o agronegócio e a mineração, mas seu benefício para a população em geral é indireto e pode ser anulado pelo custo mais alto dos insumos importados que essas mesmas indústrias utilizam.
A manutenção do dólar em um patamar como R$ 5,26, mesmo após um choque externo de fortalecimento da moeda americana, sinaliza a força relativa dos fundamentos brasileiros no curto prazo. O diferencial de juros atrativo (Selic a 15%) e o fluxo de investimento estrangeiro para a bolsa de valores, que atingiu recordes recentes, atuam como âncoras para o real, impedindo uma desvalorização mais abrupta. No entanto, a volatilidade é uma constante; notícias econômicas, declarações de autoridades ou mudanças no cenário global podem fazer este valor oscilar várias vezes ao longo do mesmo dia.
Análise Técnica do EUR/USD: A Luta Pela Retomada do Canal de Alta
Enquanto o dólar se equilibra no Brasil, seu desempenho contra o euro vive um momento decisivo. O par EUR/USD, após sofrer perdas significativas na esteira da nomeação de Warsh, tenta um rebote técnico. A análise do gráfico diário revela um cenário de conflito entre indicadores.
Atualmente, o par negocia ligeiramente abaixo de um padrão de canal ascendente, o que, isoladamente, sugere um potencial de reversão para baixa (bearish reversal). No entanto, um retorno para dentro dos limites desse canal reativaria imediatamente o viés de alta. A estrutura de tendência recebe suporte da linha ascendente da Média Móvel Exponencial (EMA) de 50 dias, situada em 1,1737. Este é um suporte dinâmico crucial: uma ruptura sustentada abaixo dele deslocaria os riscos significativamente para o lado de baixa.
O obstáculo imediato para os compradores é a EMA de 9 dias, em 1,1836. Uma fechamento acima desta média de curto prazo seria um sinal técnico positivo, fortalecendo o movimento de alta e abrindo caminho para um retorno ao canal ascendente. Se isso ocorrer, o próximo alvo seria a região de 1,2082, o nível mais alto desde junho de 2021, seguido pelo limite superior do canal em torno de 1,2290.
O indicador Relative Strength Index (RSI) de 14 dias está em 53, uma posição neutra que, no entanto, mostra uma firmação em relação às leituras anteriores, sinalizando um momento de melhora. Este dado apoia a narrativa de uma tentativa de recuperação. Em resumo, a batalha técnica está travada: de um lado, o suporte da EMA de 50 dias e um RSI em recuperação; de outro, a resistência da EMA de 9 dias e a ameaça de permanência fora do canal de alta. O desfecho deste embate definirá o sentimento predominante para o par nas próximas sessões.
O Contexto Fundamental: Bancos Centrais e o Preço do Dinheiro
As cotações do dólar frente ao real e ao euro não são determinadas apenas por gráficos; elas são profundamente influenciadas pelas expectativas de política monetária. O cenário de juros elevados no Brasil (Selic a 15%) cria um atrativo poderoso para o carry trade, onde investidores tomam recursos em moedas de juros baixos (como o dólar ou o euro) e os aplicam em ativos brasileiros de alta rentabilidade. Este fluxo constante de entrada de dólares para ser convertido em reais aumenta a oferta da moeda americana no mercado local, exercendo pressão de baixa sobre a cotação USD/BRL. Esta é uma das razões fundamentais para a relativa resistência do real, mantendo o dólar em patamares como R$ 5,26 mesmo em um contexto de dólar globalmente mais forte.
Para o EUR/USD, os olhos estão voltados para o Banco Central Europeu (BCE). O fato de o par ter recuado do nível psicologicamente importante de 1,20 diminui a pressão imediata sobre os policymakers do BCE para intervirem verbalmente contra uma valorização excessiva do euro. Uma moeda europeia muito forte prejudica as exportações do bloco. No entanto, qualquer sinal do BCE de que considera os juros atuais apropriados por mais tempo, ou de preocupação com a inflação, pode dar suporte ao euro. Por outro lado, a percepção de um Fed sob Warsh potencialmente mais hawkish continua sendo um peso para o par, limitando os ganhos da moeda única.
Previsões e Cenários Para o Restante da Sessão e da Semana
Com base na análise técnica e no contexto fundamental, podemos traçar alguns cenários para as cotações em foco:
- Para o USD/BRL (R$ 5,26):
- Cenário de Estabilidade (Mais Provável): O par deve encontrar um equilíbrio entre a força externa do dólar e os fundamentos atrativos do Brasil, oscilando em uma faixa próxima aos níveis atuais, entre R$ 5,20 e R$ 5,30. A ausência de novos choques externos e a manutenção do fluxo de capitais sustentam este cenário.
- Cenário de Alta (Pressão Externa): Se a recuperação do dólar no mercado global ganhar força consistente, com o DXY superando resistências, o USD/BRL pode romper a barreira de R$ 5,30 e buscar testar R$ 5,35. Isto exigiria uma mudança no sentimento de risco que reduzisse o apetite por ativos brasileiros.
- Cenário de Baixa (Resiliência Brasileira): Caso dados econômicos locais surpreendam positivamente ou haja uma nova onda de entrada de capital estrangeiro, o real pode se fortalecer, levando o dólar a retestar o suporte de R$ 5,20 e, potencialmente, níveis mais baixos.
- Para o EUR/USD (1,1810):
- Cenário de Recuperação (Bullish): Um fechamento claro acima de 1,1836 (EMA de 9 dias) abriria caminho para um reteste de 1,1900 e uma tentativa de retorno ao canal ascendente. Este movimento exigiria um dólar perdendo momentum no mercado global.
- Cenário de Consolidação Lateral (Neutral): O par pode oscilar entre o suporte da EMA de 50 dias (1,1737) e a resistência da EMA de 9 dias (1,1836), aguardando um novo catalisador fundamental, como dados de inflação da Zona do Euro ou declarações do BCE.
- Cenário de Queda Acelerada (Bearish): Uma ruptura abaixo de 1,1737 confirmaria a quebra da estrutura de suporte e miraria o fundo de dois meses em 1,1578, estabelecido em 19 de janeiro. Isto ocorreria em um contexto de dólar inabalavelmente forte e preocupações renovadas com a economia europeia.
Conclusão: Vigilância em um Mercado em Transição
O dia 03 de fevereiro representa uma pausa para respirar e uma reavaliação após os eventos convulsivos do final da semana passada. O dólar a R$ 5,26 reflete uma absorção bem-sucedida, até o momento, do choque externo pela economia brasileira, graças aos seus pilares de juros altos e atratividade para capitais. Já o EUR/USD em 1,1810 simboliza a luta do euro para não ceder terreno definitivamente diante de um dólar revigorado pela perspectiva de um Fed mais rigoroso.
Para traders e investidores, a palavra de ordem é vigilância. Os níveis técnicos identificados – 1,1836 e 1,1737 para o EUR/USD, e a faixa de R$ 5,20-5,30 para o USD/BRL – devem ser monitorados de perto, pois suas rupturas indicarão a próxima direção de médio prazo. Em um ambiente onde políticas monetárias estão em reavaliação global e o risco geopolítico permanece latente, a capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças de sentimento será o diferencial. O mercado cambial, seja na ponta do real ou do euro, continua sendo um jogo de expectativas, onde o preço de hoje é apenas o reflexo instantâneo de um complexo cálculo sobre o valor do dinheiro amanhã.

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